O xerife Ricardo Rocha, Caruaru e minha Santa Cruz do Capibaribe
Sento-me na conhecida cadeira do papai. Procuro assunto para minha coluna. Vem na cabeça Ricardo Rocha.
Gente boa, de palavra fácil. Participei
recentemente de uma conversa com ele no Botequim da Bola, programa de debate de
Léo Medrado, na Rádio CBN.
Recordamos histórias do passado, principalmente de 1983 quando o nosso
Santa, meu e dele, e de milhões de apaixonados tricolores do Arruda, foi
supercampeão pernambucano. Empates por zero a zero com o Sport no primeiro jogo
da série decisiva, um a um com o Náutico. E empate também por um a um na
partida extra com o Náutico. Gabriel para o Santa e Mirandinha para
Náutico, os gols. Nos pênaltis, ganhamos por seis a cinco, última cobrança
feita pelo zagueiro Gomes. Antes, o lance polêmico em que Porto, ponta-direita
alvirrubro bateu seu pênalti. O goleiro Luiz Neto fez a defesa. Uns viram a
bola passar da linha. Para nós corais, o caruaruense Luiz Neto pegou a bola em
cima da risca. Importante de tudo é que o título está registrado nos livros
para as três cores. E estamos conversados. O time tricolor: Luiz Neto; Ricardo,
Gomes, Edson Furquim e Almeida; Zé do Carmo (Marco Antônio), Henágio e Peu; Gabriel,
Ivan (Django) e Ângelo. Técnico: o mineiro Carlos Alberto Silva. Foi um festão
no Colosso do Arruda. Duas curiosidades: Ricardo na lateral e sem o Rocha, que
foi acrescentado no nome dele, no Guarani, para onde se transferiu em 1985. Foi
nessa final que os jogadores do Santa entraram em campo de mãos dadas. O gesto
foi repetido pela Seleção Brasileira contra a Bolívia, no mesmo Arruda, em 1993,
nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1994. Ganhamos por seis a zero. A ideia
foi do xerife Ricardo.
Recordamos também que o passe de
Ricardo, que jogava no Santo Amaro, foi adquirido pelo Santa em troca de bolas,
meiões e camisas. Depois, ele brilharia no Guarani, já citado, Vasco, São
Paulo, Flamengo, Sporting e Real Madrid. A amizade com o ex-lateral
pernambucano e campeão mundial de 94 permanece até hoje. Era um belo jogador
esse Ricardo Roberto Barreto Rocha, que hoje está com 60 anos e vive no Rio de
Janeiro.
Já que estou no passado, revelo que matei saudade da minha Santa Cruz do Capibaribe nesse sábado 24. Estive lá ao lado do amigo Nhemias, no Encontro dos Filhos Ausentes. Na ida, a BR 232 fez minha alegria, afinal fui rumo a Caruaru, onde morei por sete anos. Na Capital do Agreste fiz um lindo gol ao me despedir dela, no domingo 1º de março de 1964, num empate do meu Bangu com um time do bairro do Rosário, por um a um. No dia seguinte embarquei pela Rodoviária Caruaruense para viver no Recife. Foi em Caruaru que vi meu Vera Cruz, um time amador, ser campeão do centenário da cidade, em 1957, ao vencer o Central. Acredito que foi por um a zero. Há quem diga que foi por dois a um. Não lembro bem do resultado. Sei que o tricolor de lá foi campeão. E no especial querido lugar do Forró ouvi pedaços do jogo em que meu Santa Cruz foi supercampeão pernambucano no mesmo ano de 1957. Em Caruaru vi craques, como os meias Vadinho e Zezinho, os zagueiros Jucélio e Zé Carlos, e o goleiro Dudinha, pelo Central. Depois de rodar pelas ruas Vigário Freire e Da Matriz, e Avenida Agamenon Magalhães. tivemos acesso à rodovia 104. Destino: Santa Cruz. Nesse último capítulo do passeio vamos encontrando os Toiotas. Agora, menos do que muitos anos atrás, quando era o meio de transporte na região. Foi num deles que fiz parte da viagem do time da Portuguesa, da Rua São Paulo, de Caruaru, para levar uma goleada por sete a um, do Santa Cruz da minha terra.
Em Santa Cruz, ao passar pelo
muro do Estádio Otávio Limeira Alves, recordo o time dos meus sonhos do
Ypiranga, o clube da cidade, dos anos 50: Ambrósio ou Guilherme; Estoécio e
Heleno Pratinha; Seu Mário, Seu Lulu e Bernito; Totonho, Joãozinho de Duda, Afonso,
Dida, meu ídolo na época, e Arnon.
À noite, abraço amigos na Rua
Grande, local do Encontro. Entre eles, o ex-zagueiro Dimas do Náutico dos anos
70, que fixou moradia em Santa Cruz.
Foi bom demais em estar lá ao lado dos irmãos Lenivaldo e Lenildo.
E de tantos, da época, e de hoje. Quero voltar no próximo ano. Amigos e amigas,
que estejam lá também.
Até a próxima edição do Alô, Alô Saudade!
Belo comentário, grande amigo.
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